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	<title>Nathália Noturna</title>
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		<title>Nathália Noturna</title>
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		<title>O espetáculo e seus temas</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 21:47:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>hvdesigner</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[    Por Maurício Perussi   No princípio era o Assim Falou Zaratustra de Nietzsche e todo o arrebatamento dionisíaco de seu Aprendizado Trágico. Em seguida veio O Erotismo de Georges Bataille e sua pletora de desejo em busca da continuidade perdida. Logo depois foi a A Câmara Clara de Roland Barthes e sua “imagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nathalianoturna.wordpress.com&amp;blog=3410320&amp;post=15&amp;subd=nathalianoturna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:9pt;color:#ff0000;font-family:Verdana;"><a href="http://nathalianoturna.files.wordpress.com/2008/05/foto202123.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-167" src="http://nathalianoturna.files.wordpress.com/2008/05/foto202123.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><em><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">Por Maurício Perussi</span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">No princípio era o <strong><em>Assim Falou</em> <em>Zaratustra</em></strong> de Nietzsche e todo o arrebatamento dionisíaco de seu Aprendizado Trágico. Em seguida veio <strong><em>O Erotismo </em></strong>de Georges Bataille e sua pletora de desejo em busca da continuidade perdida. Logo depois foi a <strong><em>A Câmara Clara</em></strong> de Roland Barthes e sua “imagem louca” capaz de fazer dançar a fixidez da Fotografia através de presenças que são ausências, passados que são presentes que são futuros, de vidas que são mortes, desejos que são temores.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">De um lado estava definida uma tríade temática: o Aprendizado Trágico, o Erotismo, a Fotografia que, mais tarde, pôde ser englobada num conjunto temático maior: o Desejo. Do outro lado estava a vontade de fazer Teatro com esses temas aliada à experiência do espetáculo/exercício <strong><em>Natália, Nathália</em></strong>. Da tensão entre esses elementos surgiu o roteiro de <strong><em>Nathália, Noturna</em></strong> que, agora, se constitui como espetáculo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">Ao longo do processo de montagem veio a necessidade de refletir sobre o sentido de se fazer uma peça de teatro alimentada, essencialmente, pelo tema do Desejo. Foi então que se percebeu que a sociedade na qual <strong><em>Nathália, Noturna</em></strong> foi produzida tem, justamente, na captura do desejo um artifício fundamental de dominação e exercício de poder. Um poder cuja ação vem munida de todo um aparato de sedução e apelo erótico-fotográfico que interfere diretamente na constituição de nossos corpos, na vida que corre através deles.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">À todo momento, em nosso cotidiano, o curso natural de nossa atenção e de nossos desejo é interrompido por discursos que pretendem retê-lo, capturá-lo através dos apelos contidos em suas formas e conteúdos. Basta abrir uma revista qualquer, sintonizar um canal de t.v ao acaso, ir ao dentista, ao teatro para que nos sejam despejadas toneladas de frases imperativas amalgamadas a imagens sedutoras – em geral imagens de corpos femininos – que glorificam a beleza, a assepsia, a juventude, o gozo, a potência sexual.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"><span> </span>Essa glorificação confere a tais valores o status de necessidades: todos, então, passamos a querer nos adequar à situação, passamos a desejar algo que não temos e que todos <em>devem</em> ter, a ansiar – através do medo da inadequação – uma pretensa normalidade. A esta altura, já nos fizeram crer que o desejo é carência, já sugaram do Erotismo qualquer promessa de conexão. Só nos resta a carcaça de um corpo que nos foi destituído; a solidão entorpecida que tanto se compraz em felicidades forjadas. Uma sociedade que atingiu o trágico pela via da impotência.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><strong><em><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">Nathália, Noturna </span></em></strong><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">escolhe a metáfora da noite para falar de um lugar de atuação da essência que está em movimento por trás da aparência, da vontade que está por trás e para além da representação. A noite como o reino do Erotismo entendido como busca espiritual do indivíduo por uma conexão, por uma continuidade perdida e, por isso mesmo, sempre possível com o mundo e com os outros. O Erotismo encantado do re-ligamento com o cosmos, em oposição ao Erotismo desencantado do apelo exercido nos discursos do poder. <span>   </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;">Haveria algum sentido profundo escondido nos discursos que se utilizam da representação do desejo para nos adaptar a seus valores ou estaríamos, em nosso cotidiano, diante de uma profusão de signos vazios que nos seduzem com a mesma facilidade com que nos abandonam?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"><span>            </span>Haveria alguma possibilidade de liberdade para o indivíduo cujo desejo é constantemente capturado por discursos de todo tipo e que se vê impelido a construir uma identidade sempre em função do que é externo a ele em vez de ser confiado à experimentação de si como singularidade integrante de um mundo em eterna transformação?Quem é que diz o que é realmente necessário à natureza do homem?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"><span>            </span>A fábula de <strong><em>Nathália, Noturna </em></strong>é, fundamentalmente, uma jornada solitária pela noite e, dentro dessa jornada, são vários os caminhos que nos convidam a errar por sobre eles: a perda da identidade e a possibilidade de experimentação do devir, um aprendizado trágico sobre o desejo como energia produtiva e criadora de seus próprios objetos, sobre o amor como encontro criativo; a experiência da alteridade e da estranheza; o reconhecimento do excesso, da violência, da potência trágica do desejo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"><span>            </span>Pretendemos, com este projeto, oferecer um discurso que convida o espectador a se posicionar ativamente como leitor da obra, deixando para ele espaços a serem preenchidos pela ação de seu imaginário: provocando o movimento criativo de sua subjetividade e da memória de suas experiências passadas, presentes, futuras.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Verdana;"><span>            </span>Diferentemente do tom imperativo da captura, compreendemos o teatro como um lugar em que as portas do discurso se abrem e fazem os desejos fluírem em direção ao sonho, à memória, à reflexão, à criatividade, a outros desejos. É essa abertura que nos libera o caminho da experiência; a possibilidade da conexão erótica; a jornada que é a própria experiência de assisti-lo e praticá-</span><span style="font-size:9pt;color:#ffffff;font-family:Frutiger55Roman;">lo.</span></p>
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